POEIRA, Eu.

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Um resquício de poeira flutuante é o que sou, mas não brilho se contrastada com a luz do sol. Transito por prédios, estantes abarrotadas de livros, semáforos fechados e insônias. Acumulo-me no passado e pelos cantos da casa, como um cadeado enferrujado de minhas próprias lembranças. Sou o que sou por medo de ser o que nunca fui.

Há mais mistérios entre a janela da sala e o porta retrato quebrado do que eu jamais imaginara.

Tresloucada, logo eu? Que talvez por culpa me calo inerte, talvez por preguiça, graça, desespero. Talvez. Talvez eu tome impulso e fôlego, talvez em meio àquele olhar de despedida, já fragilizado pelas perdas, ele queira ficar (e, talvez, de modo breve, segure a minha mão). Talvez nasçam, em meio aos sóis, pontos minúsculos de bocejos e cheiros de café fresco. Talvez amanheça, talvez adormeça e remonte-me num amontoado de pó, criatura errante de ilusões distintas.
Quero que ele aqueça as horas e as perca na soleira da porta (e que pendure os erros de anteontem no canto mais lindo do jardim).

E que floresça.
E que acalme.
E que orvalhe e frutifique.

Ama-me.

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