Bring me to Life: ressuscitando escritos dos meus 15 anos

Eu lotaria esse post com fotos da Amy Leenda, minha musa, mas os pouparei dessa beleza toda, porque sou má e estou sem tempo de fazer uma curadoria à altura dela. Apenas saibam que eu queria ser exatamente como ela antigamente. Os donos das farmácias da minha cidade me amam; eu vivia comprando tintura preto azulado para ficar com esse cabelón maravilhoso. E dava muito ruim.

Olá, caro leitor (se você não desistiu de ler esse blog entregue às moscas, é claro)
Venho por meio deste abrir oficialmente o ~Momento Nostalgia do Parafraseando-me~. Na verdade, esse vai ser apenas um post para conversarmos sobre a  adolescente estranha que eu era – e sobre alguns poemas que eu escrevia quando tinha 15 anos.
Tudo começou quando, semana passada, decidi tirar o pó das gavetas do meu criado-mudo e ver o que tinha lá, há muito perdido. Abrindo a última delas, encontrei um caderninho azul, já bem gasto e sem folha alguma em branco. Me lembrei rapidamente que aquele caderninho foi um dos meus mais preciosos companheiros durante o período mais conturbado da minha vida: a famigerada fase das crises de identidade.
Entre poemas de Pessoa, Neruda e Florbela Espanca anotados, encontrei minhas primeiras tentativas de poemas e contos. Devo admitir que aquilo me deu uma baita vergonha alheia no começo, por conta da qualidade, mas, parando para observar com mais calma, aquilo é o que sou (tela azul) até hoje.
Naquela época, entre músicas do Evanescence, livros do Edgar Allan Poe, filmes de Crepúsculo, acnes e problemas com peso, eu vivia sofrendo por uns amores não correspondidos e tentava mandar super bem nos estudos. O que não muda muito se eu for comparar com minha vida aos 21 (ok, tirando a parte de ser fã de Crepúsculo, né? Tentei ler a versão comemorativa de 10 anos e não fiquei nem um pouco feliz; como Edward e Bella eram chatos, meu Deus! – agora eu vejo). Enquanto minhas amigas da escola estavam dando os primeiros (ou talvez segundos) passos nas conquistas e galanteios, eu me fechava num mundo que era incompreendido e só meu, por medo de ser ainda mais caçoada na escola. Sempre fui a nerd. A estranha. A calada. A triste. E nesses poemas que eu escrevia, conseguia me colocar inteira, até mais do que hoje em dia, tempo esse em que tenho acesso a  praticamente tudo e posso me aperfeiçoar na escrita (ter  internet em casa naqueles anos era um sonho muito além da Aurora – sim, eu escrevi isso quando tinha 15; tirando a parte da internet). Me sentia angustiada por não ser como as meninas lindas e descoladas, mas ao mesmo tempo não queria deixar de ser quem eu era. E hoje em dia não é assim? Tudo bem que eu me descobri feminista e tento me empoderar todos os dias (Deus abençoe o meu cabelo natural e não me faça cair na besteira de alisá-lo novamente, amém), mas de vez em quando ainda sofro pressões da sociedade, principalmente quanto ao meu peso (que não mudou muito desde aquela época). É aí que a Laís de agora abraça a Laís de outrora e chora (yo, man).
Penso que naquela época era muito mais fácil escrever sobre as dores que habitavam minh’alma. Eu não precisava me preocupar em elaborar uma métrica supimpa ou figuras de linguagem impactantes. Era só eu, o papel e meus pensamentos, ideias colocadas umas atrás das outras, com direito a escrever “apareça” com SS (o poema citado abaixo foi revisado, sim, porque minha nerdice é maior do que a vontade de postar esse poema cru aqui). E quanto a parte de ser estranha: também me orgulho disso hoje em dia. Se eu apenas seguisse o padrão do que era imposto por tudo e todos, talvez eu não fosse tão legalzona para comigo mesma e não me orgulhasse da mulher que eu me tornei (ui, convencida).
Talvez ser adulto se resuma a isso: ter que resgatar todo santo dia (e a todo custo) a criança e o adolescente que moram dentro da gente. Assim a gente evita de morrer (ainda mais) aos poucos nesse mundo louco.

Fun fact: eu tinha verdadeira adoração por esse encarte de The Open Door. Fazia capa de caderno, marcador de página, caneca, camiseta & afins com essa imagem. Tanto que foi meu presente de aniversário de 15 anos, junto com o restante da discografia original. Melhor presente ❤

Agora, sintam o drama da Laizita tentando ser a Amy Maravilhosa Lee e fazendo sua própria versão de Lithium:
 
Satélite do Coração
 
A noite cai como um véu negro
Espero que a Lua apareça
Tire minha tristeza, oh Lua!
Tire ele de minha cabeça!
 
As estrelas caem
E em meu quarto, choro
Tire minha tristeza, oh Lua!
Eu apenas lhe imploro
 
Os sussurros vêm de todas as direções
Haverá paz em algum lugar?
Dentre outros corações?
 
Espero que um dia
Satélite dos apaixonados
Tu tires minha agonia.
[E você? Que histórias tem pra contar sobre sua adolescência?]
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Behind the trees: notificações

(Acabei de escrever esse texto, um pouco sem nexo, com base naqueles pensamentos igualmente sem nexo que a gente têm antes de dormir. O título da sessão vai ser Behind the Trees, porque esse é o título de um curta criado pela cantora Amanda Palmer com base numas conversas que ela teve com o Neil Gaiman antes de dormir – umas paradas sensacionais. Vai consistir no amontoado de coisas que eu penso antes de dormir e, igualmente a eles, não fará muito sentido. Mas ta aí pra quem quiser ler.)

=x=

Ele chegou assim, sem jeito.

Foi tímido, mas tão sincero que chega apertou meu coração de tanta alegria. Lembro como se fosse ontem. E hoje. E foi. Ainda é.

Meu coração deu tantas voltas nesse tempo em que você chegou e eu te peço desculpas. Por todas as vezes em que te ignorei, por todas as vezes em que mal respondi, por todas as vezes. Todas as vezes em que fui cega e não te vi partir para depois voltar cheio de ideias. E eu mal dei bola. Mal fiz gol. Coitada de mim, mal sabia eu que estaria aqui, novamente presa, ao formato de seus cachinhos. Ao mistério de seu olhar. Às viagens que não fizemos (ainda, espero). A uma foto que encontrei perdida no seu perfil (tão linda). Ao seu avatar que me espia e que me dá paz. Te deixei de lado, na corda bamba, por outros que não eram você nem nunca serão. Perdoa o drama e não desiste de mim? Ou, pelo menos, insista em mim? Porque eu já te quero. Bastante.

Eu sei que respiramos o mesmo ar. Sei que nossos céus têm mais estrelas, nossas várzeas têm mais flores, nossos bosques têm mais vida, nossa vida mais amores. Amores esses que eu quero compartilhar contigo. Daqui ou em qualquer canto da cidade. Só deixa?

Você se acha estranho, mas estranho mesmo é isso que cresce aqui dentro, sem explicação.

Eu te vejo. Como a Amanda Palmer via as pessoas na rua quando era estátua viva. Te vejo em cada mínimo detalhe, em cada palavrinha solta, em cada imagem, em cada canção, em cada emoção, em cada pulsar do meu coração, em cada poema, em cada vontade, em cada medo, em cada papel, em cada livro, em cada filme e série, em cada luz de poste à noite, em cada estrela, em cada universo que crio e tenho pena de destruir. Aqui dentro de mim. E não tenho medo de dizer que você é lindo de uma forma lindamente linda.

E é péssimo me arrepiar inteira de medo da frustração. Medo do nó que sumiu da minha garganta voltar. Medo de nunca te encontrar. Medo da decepção (por favor, pode partir se quiser, só não parta meu coração).

Escrevi um poema para você com tantas referências literárias que dá gosto de ler. Nunca escrevi algo tão bonito para ninguém. Não é clubismo, foi só o que você despertou em mim. Quero que você me leia mais uma vez, dessa vez sobre você. Quero que você me leia para sempre.

Tão difícil escrever para você, sem te conhecer de fato. Tudo parece flutuar num abismo que não chega a canto nenhum.

Aí eu temo (e teimo) de novo, sabe? De ser tudo uma ilusão. De novo e de novo e de novo. O pior é que você já se tornou minha preciosa notificação.

Aí eu durmo e te encontro em algum lugar da minha mente. Lá vou eu outra vez?

Obs: o videozin maroto da Amandinha. Se não gostou do texto, garanto que vai curtir isso aqui (ou não, né?)

 

Ausência

2016 - 1 (5)

Me desvaneço

em sombras & pó

& numa canção que

rasga o rádio e as

entranhas de

um passado

febril

 

vou embora

com o resquício da

sua voz

que embala o

corredor pálido

(de nós dois e de frio)

 

Sou capaz de tropeçar

nesse arremedo de gente

em cada quina e canto

em cada curva da

estrada

 

Vou deixando de ser

Eu-Nós-Vós

Me-mim-comigo

Até restar

absolut

ame

nt

e

 

Nostalgia

large (1)

ela carrega flores ao longo

dos cabelos

e o amor dentro dos olhos.

vaga para um lugar próximo

à Lugar Nenhum

e sabe que não vai voltar.

ela corre com dois pés esquerdos

e grita mais alto que o som

do vento passando por entre as árvores:

ela não está bem (como se isso, de fato, fosse novidade).

o orvalho cai de seus olhos

quando ela lembra dele; ser inanimado,

que mais parece Sonho do que Realidade;

ele sorriu uma ou duas vezes e

deu três suspiros profundos, seguidos

de trezentos e sessenta olhares mal-correspondidos.

ela se inflamou de paixão e quase entrou em combustão na primeira

vez em que viu a cascata cor de chocolate

que eram aqueles benditos olhos.

ah, aqueles benditos olhos castanhos…

ela queria se afogar

[nele e na calma e esperança que ele trazia]

mas não havia tempo: ela tinha que

correr até Lugar Nenhum e, quem sabe,

encontrar o Amor em sua forma mais pura.

ela carrega flores ao longo

dos cabelos

e o amor dentro dos olhos.

passa despercebida por tudo e todos

como um papel de parede rasgado

e puído pelo peso dos anos.

ela quer aprender a falar mais

do que sonha,

mas os sonhos são mais sagrados

do que palavras jogadas ao vento.

então ela se acalma e olha a

linha infinita entre as montanhas

e o céu.

e para.

e chora.

e se lembra de quando era menina.

de quando não precisava se apaixonar,

ou pagar contas, ou resolver fórmulas

de Física, ou ser politicamente correta…

ela se lembra de quando a inocência

a enrolava como um cobertor e

as duas dormiam de mãos dadas

ouvindo a canção de ninar

da noite.

mas agora tudo isso se foi.

ela cresceu, assim como os cabelos dela

ornamentados por flores;

o amor que mora bem no fundo dos

olhos dela necessita de

aconchego, carinho e estórias a

serem ouvidas e contadas.

ela carrega flores ao longo

dos cabelos

e o amor dentro dos olhos.

ela parou no meio do caminho.

[e sabe que não poderá voltar]

Aquela música do Jeneci

large (2)

Tocou aquela música do Jeneci num comercial de TV, amor, e eu lembrei de nós dois. Fiz quatrocentos e cinquenta mil planos e os escrevi naquele guardanapo que você não usou no café da manhã. Dentre eles um mochilão pela Europa, acordar às cinco e meia da madrugada todo dia pra te ver dormindo, tomar um sorvete num quiosque de praia qualquer e criar três filhos sapecas correndo pela casa. Imaginei cada linha do que ainda virá. E será lindo.

Sempre irei paralisar quando te ver chegando. As borboletas no estômago nunca sairão voando pelos ares; elas permanecerão aqui dentro, me lembrando indiretamente que eu preciso respirar e correr para os seus braços. Mas só olhar você vindo até mim em câmera lenta – sorrindo sem jeito – já basta.

Eu vou cantar pra você, amor. Uma das músicas que você tanto ama, daquela banda que ninguém conhece. Vou segurar sua mão nas enchentes que a vida traz de repente, inundando nosso sono e nossa paciência. Ela gosta de pregar peças como um menino arteiro, mas eu sempre consertarei tudo o que ela estragar. Por você e pra você. Serei seu porto seguro, sua dormida, seu lar. Deixarei você fazer morada em mim pelo tempo que restar, até o eco dos nossos corações se tornar barulho no meio da multidão. Vou dançar com você no silêncio da noite, só pra você pisar no meu pé e eu rir da sua cara de espanto. Quem sabe nós daremos sorte de observar o sol nascer na varanda. Quem sabe um passarinho pouse na janela e encha nossa casa de poesia. Quem sabe…

[Quem sabe a gente se perca no mundo e passe a viver só de amor…]

Te abraçarei infinitamente até você sentir falta de ar. Te olharei no fundo dos olhos e não direi uma só palavrá. Você entenderá, assim, o amor que mora em mim, o amor que mora em nós, o amor que mora em tudo o que nos cerca. Recitarei Pablo Neruda pra você quando brigarmos. Neruda cura qualquer dor de amor. Você ouvirá cada verso até cair no sono. E eu farei dos meus beijos seu cobertor.

O problema, amor, é que ainda não existe “nós dois”. Mas eu largo tudo se a gente se casar domingo.

(A música do Jeneci é essa aqui, ó ♥:)

Pra você guardei o amor

aw

O sol escondia-se atrás do aglomerado de prédios à nossa frente. Era o evento mais lindo que eu presenciava em anos, apesar de toda a poluição de São Paulo que mesclava o céu alaranjado com enormes cortinas acinzentadas. Nossas mãos entrelaçavam-se como um nó de marinheiro, enquanto minha cabeça dormia tranquila no ombro direito dele.

– Eu queria ser uma câmera fotográfica agora. – eu disse, ainda fixando o olhar na enorme meia-lua laranja.

Ele limitou-se a suspirar o aroma de morango dos meus cabelos e rir. O meu riso preferido, que podia significar “você é maluca” ou “eu concordo com você”. Mas, bem lá no fundo, sabia que ele havia captado a mensagem.

Naquele momento, em que o silêncio ricocheteava na árvore mais próxima daquele mirante, eu encontrei respostas para as perguntas que rondavam meus pensamentos desde pequena. Ali, sentada na grama recém-aparada, ao lado do cara mais incrível do mundo eu entendi o que era amar alguém de verdade. Entendi o propósito de passar noites sem sono ou dias inteiros ouvindo a mesma canção romântica no replay infinito. Entendi o significado de sacrificar-se por alguém, mesmo que isso mude sua vida por completo. Entendi o porquê dos meus pais se abraçarem quando passávamos por alguma dificuldade e também o porquê deles terem me ensinado que você só entrega seu coração quando tem total certeza de que a pessoa vai cuidá-lo como realmente tem que ser. Arrancando todas as ervas daninhas e semeando flores ao longo dele pelo tempo que restar. E é por isso que eu queria ser uma câmera fotográfica naquele instante. Eu armazenaria cada minúsculo ponto daquele cenário perfeito, no qual éramos rei e rainha daquela enorme cidade, apenas para repassar mentalmente para os nossos filhos algum dia o que eu havia descoberto: que amar é o ato mais altruísta que existe.

– Valeu a pena ter esperado por você. – encontrei o olhar amendoado dele enquanto corria meus dedos pelos cabelos castanhos desgrenhados que eu tanto amava. Ele apenas sorria, ou talvez pudesse ler na minha mente tudo o que eu acabara de pensar naqueles poucos minutos nos quais o sol desaparecia.

Porque eu sei que lá na frente sempre haverá a linha tênue entre o céu escuro e os inúmeros pontos brilhantes que começavam a aparecer. Lá na frente, os gigantes prédios sempre adormecerão um a um. Lá na frente sempre haverá nós dois. Perdidos para sempre no horizonte da vida.

Leia ouvindo:

Virou clichê

ImageVirou clichê acordar lá pelas duas da manhã pensando em você. Talvez você também pense em mim antes de dormir e também imagine diálogos soltos que nunca serão ditos por nós dois. Talvez. Não sei. Virou clichê ficar pensando nisso. Virou clichê te colocar em cada verso do poema, em cada linha da prosa perdida, em cada personagem dos romances que eu leio por aí. Virou clichê ouvir inúmeras músicas numa estação qualquer e te encontrar no dedilhado do violão ou no grito que enche meus ouvidos na última parte da canção. Virou clichê pegar meus pensamentos vagando e oscilando entre seus olhos e sua respiração, quando eu tenho tanta coisa – mas tanta coisa – para fazer. Virou clichê escrever para você (levando em conta que também é clichê o fato de que você nunca chegará perto das folhas de papel acumuladas na última gaveta da minha escrivaninha).

Se você pudesse ouvir o silêncio gritante que paira bem acima do meu peito, entenderia. Entenderia a origem do Universo, as inúmeras falhas que cometemos inconscientemente e o porquê de eu sorrir toda vez que te pego me observando. Com esses benditos olhos castanhos que me fitam, até sem querer, de minuto em minuto.

Virou clichê ter medo de você. Ter medo que você não sinta, não chore ou não pense em mim quando a chuva tamborila no telhado. Existe algo mais clichê que isso? Porque eu quero suas mãos nas minhas enquanto caminhamos pela cidade. Enquanto você olha uma árvore e vê um ninho, imaginando o nosso próprio daqui a alguns anos. Quero acordar de manhãzinha, naquela hora em que o sol começa a se espreguiçar, só pra te ver suspirando leve, sereno, menino. Meu.

Mas o maior clichê de todos os clichês é essa incerteza que me corrói. Não saber se você vai ficar por aqui em alguma dessas suas chegadas bruscas que me tiram o fôlego. Não saber se posso me mostrar para você do jeito que sou – sem máscaras, medos ou inseguranças, apenas eu e meu coração. Não saber se é válido cronometrar os milésimos de segundo até o dia em que só existirá um “nós”. E mais nada.

[Amor, na verdade, acho que todo esse clichê é apenas saudade. Ou talvez solidão.]