Ausência

2016 - 1 (5)

Me desvaneço

em sombras & pó

& numa canção que

rasga o rádio e as

entranhas de

um passado

febril

 

vou embora

com o resquício da

sua voz

que embala o

corredor pálido

(de nós dois e de frio)

 

Sou capaz de tropeçar

nesse arremedo de gente

em cada quina e canto

em cada curva da

estrada

 

Vou deixando de ser

Eu-Nós-Vós

Me-mim-comigo

Até restar

absolut

ame

nt

e

 

Pluviosidades

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(Por Laís, Rhayra e Rhayana)

A chuva e suas gotas
caem em conjunto e soltas
De longe, tudo parece uma ilusão,
mas o mundo se revela quando
essas gotas caem ao chão

O frio que paira acima da casa
invade o peito, se instala
a chuva cai lá fora
(não para)
o choro, aqui dentro, se cala

O vento está forte
os céus estão sem sorte;
O barulho se manifesta:
está formando uma orquestra!

O som delas atinge meus ouvidos
(talvez não tenham me atingido):
um barulho forte
que, em meu coração,
deixa um corte

Banha a calçada,
o quintal
e o sol que antes
transpassava a janela;
Queria tanto, para sempre
poder chorar nos braços dela.

Ouroboros

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E se renova a cada instante.

Pelo fogo que incendeia ela renasce.

Transforma o próprio ser em paráfrase.

De repente, serpente.

Morde com avidez o inicio,

O fim e os meios

Quer mudar o que passou

Quer dançar o que não dançou

Mas, ao final do dia, adormece

como uma criança.

Ri, com seu silvo ondulante,

Chora uma morbidez irritante

Respira e vê: a vida é como

Tem de ser;

De repente, sê gente.

Quero que me queiras

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Quero que me queiras
assim, com dois pés,
dois olhos e um coração
incerto.
Quero que me queiras
nas imperfeições de meus
traços, rabiscos, laços e
fitas de cetim.
Quero me queiras com
amor, meu bem, amor
esse que contrasta com
a sombra dos meus cílios,
rebeldias repentinas e
noites sem dormir.
Quero que me queiras em
minhas horas de euforia e
nos momentos de
absurdo torpor pensativo.
Quero que me queiras mesmo
quando faltar
verso,
prosa,
ou paciência:
quero ser tua, só tua,
Menina-flor-do-silêncio.

Vontade

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Se teu perfume fosse mel

Eu o saborearia eternamente

Para fugir do desassossego

Que invade a minha mente.

Correria por mares profundos e desconhecidos

Enfrentaria exércitos

Só para tê-lo aqui.

Se pudesse, realmente,

manteria cada pedaço teu

Guardado bem no meu peito

Para que, talvez assim,

a saudade fosse embora

De vez.