TODOS OS BILHETEIROS DE CINEMA SÃO TRISTES (ou a arte de esquecer em casa o livro que tô lendo & não ter o que fazer enquanto espera o horário do filme & ter que escrever poemas melancólicos no bloco de notas do celular)

do outro lado há olhos

que espreitam

e passam o troco

 

do lado de cá há mãos

que se beijam

olhos que se beijam

beijos que se beijam

entre os cartazes

da próxima sessão

 

do lado de dentro, existo

sem ter o que fazer-fazendo

(escrevendo isso)

por uma hora e trinta

bocejos

olhadas ao redor

e cheiros de pipoca amanteigada

 

o bilheteiro me olha triste

disfarço o olhar entre as

crianças que correm

 

ele suspira

eu suspiro

ele trabalha

eu espero

e espero

e espero

 

[solidão em tela grande]

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