Tuas mãos

Untitled | via Tumblr

Calmas, singelas e precisas, elas deslizam pelas páginas dos livros, tentando absorver com as pontas dos dedos toda a essência das aventuras que teus olhos cor-de-café-fresco tanto se deliciam ao ler. Calmamente, raptam o pires da toalha de mesa bordada e seguram a xícara de porcelana quebrada nas beiradas com precisão invejável. Anotam com caneta os devaneios de tua mocidade e limpam as manchas de tinta que respingam o papel branco. Branco como a teu sorriso tímido e o suspirar de teus pulmões.

Elas arrumam teus cabelos curtos e escuros com delicadeza, e ali descansam, mansas e alongadas. E eu as invejo. Deus, como as invejo! Queria tê-las entre meus próprios cabelos, pescoço e acima do coração. Tenho certeza de que adorariam sentir o palpitar de meus nervos de menina que só clamam por um aconchego teu. Dormiríamos entrelaçados, assim como elas, e esse nó de dois nunca se apartaria de nossas vidas.

Mas o dia logo irá embora, assim como a tua presença.

E eu as terei junto a mim, com sorte, apenas em meus pensamentos noturnos.

[Não há cristão no mundo que me convença a não amar tuas mãos, meu amor, mesmo de longe. E tenho dito.]

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