Espera

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Há uma cadeira
vazia em meu
peito que
espera a tua
chegada todo dia
– Para uma
Prosa qualquer,
uma caneca de chá
e uma vida inteira
de poesia.

 

Imagem: Laís Caroline Fotografias

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Roda

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Roda-me no ar,
Amor, e deixe
Meu salto saltar
Do pé. Roda-me
No ar e perca no
Vento todas
as incertezas
De outrora.
Deixe o cabelo
Bagunçar, amor,
Que assim tudo
fica mais leve.

Balança-me no mar
Que é teu abraço e
Meu refúgio e deixe
A maré banhar
Teus medos.

Roda-me no ar,
meu bem,
E brinque de
roda comigo:
Volte a ser criança
e deixe
Tudo circular,
porque só
É quadrado quem
Nunca ousou amar.

Ensaio

Tumblr

 

Um rio que
Flui em mim
E deságua manso
Nos pensamentos,
Por inteiro,
Inundando a sanidade
E os raios de sol.
Cativa minha
Alma com presença
E lucidez
E atira ao
Mar toda e qualquer
Saudade.
Mancha com
Amor as reentrâncias
Do que fui
Sou e serei,
Ri da fragilidade
De cada instante.
Pairando sobre
O tênue fio das
Horas e da vontade.

Ele.

Quero que me queiras

large (3)

Quero que me queiras
assim, com dois pés,
dois olhos e um coração
incerto.
Quero que me queiras
nas imperfeições de meus
traços, rabiscos, laços e
fitas de cetim.
Quero me queiras com
amor, meu bem, amor
esse que contrasta com
a sombra dos meus cílios,
rebeldias repentinas e
noites sem dormir.
Quero que me queiras em
minhas horas de euforia e
nos momentos de
absurdo torpor pensativo.
Quero que me queiras mesmo
quando faltar
verso,
prosa,
ou paciência:
quero ser tua, só tua,
Menina-flor-do-silêncio.

Tuas mãos

Untitled | via Tumblr

Calmas, singelas e precisas, elas deslizam pelas páginas dos livros, tentando absorver com as pontas dos dedos toda a essência das aventuras que teus olhos cor-de-café-fresco tanto se deliciam ao ler. Calmamente, raptam o pires da toalha de mesa bordada e seguram a xícara de porcelana quebrada nas beiradas com precisão invejável. Anotam com caneta os devaneios de tua mocidade e limpam as manchas de tinta que respingam o papel branco. Branco como a teu sorriso tímido e o suspirar de teus pulmões.

Elas arrumam teus cabelos curtos e escuros com delicadeza, e ali descansam, mansas e alongadas. E eu as invejo. Deus, como as invejo! Queria tê-las entre meus próprios cabelos, pescoço e acima do coração. Tenho certeza de que adorariam sentir o palpitar de meus nervos de menina que só clamam por um aconchego teu. Dormiríamos entrelaçados, assim como elas, e esse nó de dois nunca se apartaria de nossas vidas.

Mas o dia logo irá embora, assim como a tua presença.

E eu as terei junto a mim, com sorte, apenas em meus pensamentos noturnos.

[Não há cristão no mundo que me convença a não amar tuas mãos, meu amor, mesmo de longe. E tenho dito.]