Boy and Girl sitting on a Couch at 10 P. M.

I think I love you, I said

I think I love you too, he said

I wanna hold your hand, I said

I want to see your eyes, he said

I’ll stop breathing, I said

I’ve done it for you, he said

My mind will explode and

I want to stay silent, I said

I want to stay silent, he said

[Inspirado em “Man and Woman in Bed at 10 P.M.”, de Charles Bukowski]

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Por enquanto

(3) Tumblr

Enquanto a música não termina, eu tamborilo meus dedos impacientemente

Nos espaços que você deixou aqui.

Enquanto a chuva inunda o jardim do quintal e mata

Aquela rosa vermelha que plantei, tento matar

O que restou da última vez em que nos vimos.

Enquanto o sono dorme em meu peito, entorpecendo a vontade

De sair por aí e deixar o sol aquecer minha pele

Eu deixo o tempo passar e remendar todas as feridas

Da minha mente

[É que saí de lágrimas para ler gente].

Enquanto eu não sei de suas manias e velhices,

Escuto pela milésima vez a música do começo e

Continuo tamborilando os dedos nos espaços que você deixou

– Tão bonitos, mas não meus –

Enquanto eu vejo seu rosto em todos os lugares,

Em todas as casas,

E em cada esquina e azulejo do banheiro,

Paro e fico como náufraga a lhe procurar

Como sinal de fuga ou farol a iluminar meu caminho.

Corro risco por todo esse choro

Corro risco por todo esse amor

Corro risco por toda e qualquer

Saudade sua.

Enquanto nossos encantos não cantam um dueto,

Fico, por enquanto, adiando sua partida do meu coração.

Nostalgia

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ela carrega flores ao longo

dos cabelos

e o amor dentro dos olhos.

vaga para um lugar próximo

à Lugar Nenhum

e sabe que não vai voltar.

ela corre com dois pés esquerdos

e grita mais alto que o som

do vento passando por entre as árvores:

ela não está bem (como se isso, de fato, fosse novidade).

o orvalho cai de seus olhos

quando ela lembra dele; ser inanimado,

que mais parece Sonho do que Realidade;

ele sorriu uma ou duas vezes e

deu três suspiros profundos, seguidos

de trezentos e sessenta olhares mal-correspondidos.

ela se inflamou de paixão e quase entrou em combustão na primeira

vez em que viu a cascata cor de chocolate

que eram aqueles benditos olhos.

ah, aqueles benditos olhos castanhos…

ela queria se afogar

[nele e na calma e esperança que ele trazia]

mas não havia tempo: ela tinha que

correr até Lugar Nenhum e, quem sabe,

encontrar o Amor em sua forma mais pura.

ela carrega flores ao longo

dos cabelos

e o amor dentro dos olhos.

passa despercebida por tudo e todos

como um papel de parede rasgado

e puído pelo peso dos anos.

ela quer aprender a falar mais

do que sonha,

mas os sonhos são mais sagrados

do que palavras jogadas ao vento.

então ela se acalma e olha a

linha infinita entre as montanhas

e o céu.

e para.

e chora.

e se lembra de quando era menina.

de quando não precisava se apaixonar,

ou pagar contas, ou resolver fórmulas

de Física, ou ser politicamente correta…

ela se lembra de quando a inocência

a enrolava como um cobertor e

as duas dormiam de mãos dadas

ouvindo a canção de ninar

da noite.

mas agora tudo isso se foi.

ela cresceu, assim como os cabelos dela

ornamentados por flores;

o amor que mora bem no fundo dos

olhos dela necessita de

aconchego, carinho e estórias a

serem ouvidas e contadas.

ela carrega flores ao longo

dos cabelos

e o amor dentro dos olhos.

ela parou no meio do caminho.

[e sabe que não poderá voltar]

Aquela música do Jeneci

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Tocou aquela música do Jeneci num comercial de TV, amor, e eu lembrei de nós dois. Fiz quatrocentos e cinquenta mil planos e os escrevi naquele guardanapo que você não usou no café da manhã. Dentre eles um mochilão pela Europa, acordar às cinco e meia da madrugada todo dia pra te ver dormindo, tomar um sorvete num quiosque de praia qualquer e criar três filhos sapecas correndo pela casa. Imaginei cada linha do que ainda virá. E será lindo.

Sempre irei paralisar quando te ver chegando. As borboletas no estômago nunca sairão voando pelos ares; elas permanecerão aqui dentro, me lembrando indiretamente que eu preciso respirar e correr para os seus braços. Mas só olhar você vindo até mim em câmera lenta – sorrindo sem jeito – já basta.

Eu vou cantar pra você, amor. Uma das músicas que você tanto ama, daquela banda que ninguém conhece. Vou segurar sua mão nas enchentes que a vida traz de repente, inundando nosso sono e nossa paciência. Ela gosta de pregar peças como um menino arteiro, mas eu sempre consertarei tudo o que ela estragar. Por você e pra você. Serei seu porto seguro, sua dormida, seu lar. Deixarei você fazer morada em mim pelo tempo que restar, até o eco dos nossos corações se tornar barulho no meio da multidão. Vou dançar com você no silêncio da noite, só pra você pisar no meu pé e eu rir da sua cara de espanto. Quem sabe nós daremos sorte de observar o sol nascer na varanda. Quem sabe um passarinho pouse na janela e encha nossa casa de poesia. Quem sabe…

[Quem sabe a gente se perca no mundo e passe a viver só de amor…]

Te abraçarei infinitamente até você sentir falta de ar. Te olharei no fundo dos olhos e não direi uma só palavrá. Você entenderá, assim, o amor que mora em mim, o amor que mora em nós, o amor que mora em tudo o que nos cerca. Recitarei Pablo Neruda pra você quando brigarmos. Neruda cura qualquer dor de amor. Você ouvirá cada verso até cair no sono. E eu farei dos meus beijos seu cobertor.

O problema, amor, é que ainda não existe “nós dois”. Mas eu largo tudo se a gente se casar domingo.

(A música do Jeneci é essa aqui, ó ♥:)

Pra você guardei o amor

aw

O sol escondia-se atrás do aglomerado de prédios à nossa frente. Era o evento mais lindo que eu presenciava em anos, apesar de toda a poluição de São Paulo que mesclava o céu alaranjado com enormes cortinas acinzentadas. Nossas mãos entrelaçavam-se como um nó de marinheiro, enquanto minha cabeça dormia tranquila no ombro direito dele.

– Eu queria ser uma câmera fotográfica agora. – eu disse, ainda fixando o olhar na enorme meia-lua laranja.

Ele limitou-se a suspirar o aroma de morango dos meus cabelos e rir. O meu riso preferido, que podia significar “você é maluca” ou “eu concordo com você”. Mas, bem lá no fundo, sabia que ele havia captado a mensagem.

Naquele momento, em que o silêncio ricocheteava na árvore mais próxima daquele mirante, eu encontrei respostas para as perguntas que rondavam meus pensamentos desde pequena. Ali, sentada na grama recém-aparada, ao lado do cara mais incrível do mundo eu entendi o que era amar alguém de verdade. Entendi o propósito de passar noites sem sono ou dias inteiros ouvindo a mesma canção romântica no replay infinito. Entendi o significado de sacrificar-se por alguém, mesmo que isso mude sua vida por completo. Entendi o porquê dos meus pais se abraçarem quando passávamos por alguma dificuldade e também o porquê deles terem me ensinado que você só entrega seu coração quando tem total certeza de que a pessoa vai cuidá-lo como realmente tem que ser. Arrancando todas as ervas daninhas e semeando flores ao longo dele pelo tempo que restar. E é por isso que eu queria ser uma câmera fotográfica naquele instante. Eu armazenaria cada minúsculo ponto daquele cenário perfeito, no qual éramos rei e rainha daquela enorme cidade, apenas para repassar mentalmente para os nossos filhos algum dia o que eu havia descoberto: que amar é o ato mais altruísta que existe.

– Valeu a pena ter esperado por você. – encontrei o olhar amendoado dele enquanto corria meus dedos pelos cabelos castanhos desgrenhados que eu tanto amava. Ele apenas sorria, ou talvez pudesse ler na minha mente tudo o que eu acabara de pensar naqueles poucos minutos nos quais o sol desaparecia.

Porque eu sei que lá na frente sempre haverá a linha tênue entre o céu escuro e os inúmeros pontos brilhantes que começavam a aparecer. Lá na frente, os gigantes prédios sempre adormecerão um a um. Lá na frente sempre haverá nós dois. Perdidos para sempre no horizonte da vida.

Leia ouvindo: