Sobre a música que habita dentro de nós (Somebody out there)

“As canções permanecem. Elas perduram. A canção certa pode fazer um imperador tornar-se motivo de chacota, pode arruinar toda uma dinastia. Uma canção pode permanecer depois de os acontecimentos e as pessoas nela descritos terem se transformado em pó, em sonhos e morrido. Esse é o seu poder. “ (Os Filhos de Anansi, Neil Gaiman)

Todos nós, em algum momento da vida, nos deparamos com uma música que nos define (seja pela banda, letra ou o dedilhado do violão nos últimos minutos da canção). Eu, você, a Maria, o Pedro e o Joaquim fomos/somos/seremos sempre assim. Colocamos os fones de ouvido ou ligamos o rádio do carro no último volume até o nosso “pedaço do paraíso” encher nossas mentes com acordes e letras que são pura poesia. Pensando nisso, a Luiza (da página Luiza Alcântara), decidiu juntar desenhos e letras de música em um projeto chamado “Somebody out there”. O projeto consiste em correlacionar ilustrações de pessoas que têm uma afinidade enorme com a música e um trecho das canções que as descrevem. Eu o descobri pelo blog da Isabelle Dias (Quintal de Casa), a qual é melhor amiga da Luiza. Me apaixonei logo de cara e sei que outras milhares de pessoas também se identificarão. A Lu é estudante de Design Gráfico, Beatlemaníaca, ilustradora e trabalha como designer no QdC. Deixo vocês com as palavras da criadora e as ilustras mais fofas da Galáxia (não se esqueçam de curtir a página dela para receberem mais atualizações ♥).

“A ideia do projeto surgiu quando eu comecei a perceber que muitos ilustradores têm feito várias ilustrações (de diferentes tipos) dos famosos do momento, coisas tipo Miley Cyrus, Lady Gaga, Katy Perry, etc. Então eu pensei, ‘ok essas pessoas são famosas’, mas se for olhar pelo lado da música, não importa você ser famoso ou não pra ter uma ligação forte com ela, independente de qual for a ligação o que importa é que a música acaba mudando algo na vida de alguém, e dai surgiu o nome do projeto ”Somebody out there” que na verdade nada mais é do que todos esses ‘alguens’ por aí que são apaixonados por música. E na hora eu pensei ‘nossa eu preciso desenhar sobre isso!’. E o projeto significa tudo pra mim, sabe? É quem eu quero ser, ou melhor, o que eu já estou me tornando, ainda tenho tanto pra aprender, sabe? Tanto pra evoluir… E mesmo assim ver o carinho das pessoas pelo trabalho que você faz (e que faz com amor), isso é simplesmente incrível! Amo ilustração e com toda certeza não consigo me ver (e nem quero) fazendo outra coisa.” (Luiza Alcântara, sobre o projeto “Somebody out there”)

(Minha favorita ♥)

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Virou clichê

ImageVirou clichê acordar lá pelas duas da manhã pensando em você. Talvez você também pense em mim antes de dormir e também imagine diálogos soltos que nunca serão ditos por nós dois. Talvez. Não sei. Virou clichê ficar pensando nisso. Virou clichê te colocar em cada verso do poema, em cada linha da prosa perdida, em cada personagem dos romances que eu leio por aí. Virou clichê ouvir inúmeras músicas numa estação qualquer e te encontrar no dedilhado do violão ou no grito que enche meus ouvidos na última parte da canção. Virou clichê pegar meus pensamentos vagando e oscilando entre seus olhos e sua respiração, quando eu tenho tanta coisa – mas tanta coisa – para fazer. Virou clichê escrever para você (levando em conta que também é clichê o fato de que você nunca chegará perto das folhas de papel acumuladas na última gaveta da minha escrivaninha).

Se você pudesse ouvir o silêncio gritante que paira bem acima do meu peito, entenderia. Entenderia a origem do Universo, as inúmeras falhas que cometemos inconscientemente e o porquê de eu sorrir toda vez que te pego me observando. Com esses benditos olhos castanhos que me fitam, até sem querer, de minuto em minuto.

Virou clichê ter medo de você. Ter medo que você não sinta, não chore ou não pense em mim quando a chuva tamborila no telhado. Existe algo mais clichê que isso? Porque eu quero suas mãos nas minhas enquanto caminhamos pela cidade. Enquanto você olha uma árvore e vê um ninho, imaginando o nosso próprio daqui a alguns anos. Quero acordar de manhãzinha, naquela hora em que o sol começa a se espreguiçar, só pra te ver suspirando leve, sereno, menino. Meu.

Mas o maior clichê de todos os clichês é essa incerteza que me corrói. Não saber se você vai ficar por aqui em alguma dessas suas chegadas bruscas que me tiram o fôlego. Não saber se posso me mostrar para você do jeito que sou – sem máscaras, medos ou inseguranças, apenas eu e meu coração. Não saber se é válido cronometrar os milésimos de segundo até o dia em que só existirá um “nós”. E mais nada.

[Amor, na verdade, acho que todo esse clichê é apenas saudade. Ou talvez solidão.]