A Dustland Fairytale

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Ela passava a maior parte do tempo em uma ilha encantada no meio do oceano, cercada por sereias, gnomos e fadas com asas cor de rosa. Mas aquilo tudo não passava de ilusão, porque eram apenas sonhos perdidos no meio da madrugada. Ela queria que tudo se tornasse realidade. Queria viajar em unicórnios, sentir a textura das nuvens e ver o pôr do sol sentada em uma jangada no meio do nada. Mas não podia realizar tal sonho por viver em um mundo real.

Desde pequena, vivia entre princesas e castelos de areia. Esperava impacientemente por um príncipe encantado e uma linda serenata de amor dedilhada à luz do luar. Queria ser rainha, golfinho e anjo de neve. Desejava tudo aquilo que não podia ter.

Todos diziam Mariazinha deveria crescer, que não tinha mais idade para conversar com o coelho de estimação ou com o cachorro da vizinha, mas ela não se importava. Preferia habitar um mundo colorido distante, aonde chuva tem gosto de limonada, do que perder tempo com trabalho e faculdade.

Para falar a verdade, Mariazinha queria ser Peter Pan. Não crescer nunca, viver à mercê de boas doses de aventura, voar pelo céu ao invés de pegar trânsito. Mas Mariazinha tinha reunião do Clube do Livro aos sábados e não queria decepcionar ninguém.

Quando deitava a cabeça no travesseiro, chorava até os olhos arderem. Queria levar uma vida mais feliz, sem tanta morte, violência, injustiças e contas a pagar. Queria pegar o navio do Capitão Gancho e sumir de vez. Queria construir um reino de poeira e magia. Queria abonar, pelo menos por alguns anos, suas responsabilidades no Trágico Mundo dos Adultos. Queria ser criança para todo o sempre.

Mas, em um belo dia de sol, Mariazinha descobriu que contos de fadas também existem no mundo real. Que a bruxa má está sempre à espreita em qualquer esquina, que um belo príncipe (mesmo não sendo encantado) apareceria de uma hora para outra e que fadas madrinhas sempre lhe estendem a mão quando você mais precisa. Era hora de a Cinderela perder o sapatinho de cristal por um bom tempo e encarar o fato de que a vida não é fácil para ninguém. E também parar de usar o próprio nome no diminutivo.

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