Intrínseco (como fumaça, fogo e mãos entrelaçadas)

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Os arrepios incertos condizem com cada toque, olhar e sorriso escondido no canto dos lábios.

As palavras faltam e o silêncio invade a minha, a sua, a nossa vida. Um silêncio que diz tudo e nada. Que esvazia e preenche o coração. Que abdica de tudo e todos. Basta estar ali, sereno e inaudível. Apenas.

Tão certo quanto chuva em janeiro. Tão calmo como a brisa das seis da manhã. Tão forte quanto o cheiro quente do café no fogo – que aquece o peito e alma. Tão simples como o bater de asas de um beija-flor. Não sei se era para ser tão completo assim, mas é.

Seus dedos têm o mapa exato da minha nuca, e traça por ela caminhos inabitados e inalcançáveis. Seus cílios sombreiam os olhos castanhos – tempestuosos e afetuosos – e os transformam em dois abismos profundos. E eu me jogo. Sem medo. Sem culpa. Sem fôlego.

Mãos, pés, lábios, sonhos, vontades, risos, gestos, tristezas e aventuras mesclam-se como um só. Indefinido e particular. Fazemos parte, meu amor, de um universo aonde tudo se liga, se ajeita, se combina e se ama por inteiro. Como a fumaça que não existe sem fogo. Como novela das nove sem clichê. Como nossas mãos entrelaçadas pelo caminhar da rua. Como meus textos cheios de metáforas, hipérboles e sinestesias. Como o meu eu sem você. Como nosso ser, enfim. Intrínseco.

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