Um conto sobre amor, incertezas e valsas inquietantes, sem um título definido

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A noite adentrava a festa de casamento como uma convidada de honra. Os últimos raios de sol se escondiam, cedendo lugar às estrelas frias e brilhantes. Todos sorriam e parabenizavam os noivos, marinheiros de primeira viagem em busca do mais puro sentimento: o amor. Os músicos, muito bem escolhidos, tocavam sinfonias melodiosas, cheias de alegria e encanto. Logo mais dariam espaço ao DJ e às batidas eletrônicas. Em um canto perdido do pequeno salão improvisado ao ar livre, cercado por pequenas lâmpadas e flores brancas artificiais, dois jovens conversavam:

– Não acredito que minha irmã finalmente casou. – disse Elisabeth, olhando o garoto ao lado com cara de espanto. – Pensei que ela viveria para sempre lá em casa, apenas levando aqueles namorados esquisitos para conhecerem nossos pais. O mundo dá voltas…

– Todo mundo namorando, noivando, casando… E a gente aqui bebendo champanhe sem álcool, enquanto nossas almas gêmeas vagam por aí… – Marcos riu e quase se engasgou ao dar um gole na taça de champanhe.

– Ou quem sabe nossas almas gêmeas estejam mais próximas do que o esperado.

– Isso foi uma indireta pra mim? – ele a olhou maliciosamente, fazendo com que as bochechas da garota se ruborizassem. – Você está dizendo que gosta…

– Eu não disse nada comprometedor. Talvez sua alma gêmea seja aquela senhora da faxina. E ela está perto de você. Entendeu? – ela riu histericamente, apontando para a senhora robusta de cabelos brancos que retirava alguns pratos com restos de comida da mesa ao lado, tentando disfarçar o fato de realmente ter o lançado uma indireta. Ela o amava desde os dez anos, quando em uma pescaria Marcos a salvou de um afogamento. Aquele havia sido o começo de uma linda história de amor não correspondido.

– Vou fingir que eu acredito em você. – Marcos colocou a taça sobre a mesa e segurou as mãos de Beth. = Diz pra mim que você não sente nada quando eu faço isso. – ele levou a mão direita até o rosto da garota e afagou sua bochecha, colocando uma mecha de cabelo solta atrás da orelha dela. O olhar hipnotizado de Beth a entregava: ela queria beijá-lo ali mesmo, no meio de todos os convidados, músicos, garçons e enfeites de casamento. Queria dizer o quanto o amava e que havia esperado todo esse tempo por um sinal de que ele também era perdidamente apaixonado por ela. Queria chamá-lo de idiota e manipulador, por fazê-la dormir e acordar pensando em seu par de olhos verdes e seu cabelo escuro. Mas o gelo em suas veias não permitiu que ela pusesse seus planos em prática.

– Não. Eu não sinto nada. – Beth mentiu, afastando-se de Marcos. Ela conhecia muito bem o rapaz e sabia que aquilo não passava de um teste. Marcos adorava partir os corações das moças que se diziam dispostas a ficarem com ele “para todo o sempre”. Um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. – Somos apenas amigos. Não quero estragar tudo isso.

Marcos compreendeu que ela era diferente. Beth o sacrificaria por um bem maior: ter seu coração intacto. Ele a olhou de uma maneira diferente, carinhosa até. Sorrindo, perguntou:

– Quer esquecer toda essa cena e dançar comigo? Tipo, “apenas bons amigos”? A gente ainda tem que fazer a dança do robô…

– Sempre. – ela respondeu, confiando em sua integridade e segurando a mão do garoto.

Beth continuaria escondendo o jogo pelo tempo que fosse. Pelo menos até estar certa de que ele realmente a queria.

As estrelas velavam a valsa inquietante, repleta de amor e incertezas.

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