Mel, nuvens e água cristalina

ImagemA lua ainda estava alta no céu. As ondas arrebentavam calmamente na praia e os dois conversavam, noivo e noiva recém-casados:

– Você não sabe o quanto estou feliz, amor. – ele dizia segurando-a pela cintura, enquanto os músicos tocavam “Relicário”, do Nando Reis.

– “Eu trocaria a eternidade por essa noite…” – ela cantarolou baixinho, apenas para que ele ouvisse. O tilintar doce de sua voz enchia o ar de harmonia. Um sorriso angelical brotou dos lábios dela.

– Eu também trocaria. – ele puxou-a para o peito, fazendo com que ela encostasse a cabeça ornamentada com margaridas. Respirou o cheiro de mel, nuvens e água cristalina de seus cabelos negros e ondulados.

O casamento iniciara-se logo após o pôr do sol. Não havia testemunhas, convidados, festa, bolo ou presentes. As juras foram proferidas apenas com o olhar. Caminharam sob um céu escuro, salpicado de pequenos pontos brilhantes até encontrarem dois jovens, cada qual com um violão, tocando músicas para a Aurora que logo mais chegaria. Ficaram por ali, abraçados, apenas ouvindo os sons que a praia os concedia.

– Tem mesmo que ir agora? – ele perguntou, beijando-lhe a testa.

– Eu adoraria ficar. Você sabia das consequências antes de se casar comigo. – ela riu.

– Qualquer consequência seria válida, desde que você fosse minha e eu fosse seu. Para sempre. – ele afagou a bochecha dela, fazendo com que ela enrubescesse.

Deixaram o luau para trás e andaram descalços pela areia, perdendo a noção do tempo. Riscos avermelhados e arroxeados apareciam bailando pelo céu.

– A hora está chegando. Logo mais voltarei para o Espaço. – ela disse, encarando o horizonte infinito.

Ele não disse nada. Apenas a olhou por completo, memorizando cada centímetro daquele ser tão especial capaz de armazenar em seu coração todo o amor do mundo – e do universo. Ela conseguia ser ainda mais bonita sob os primeiros raios de sol da manhã. A pele branca como bruma, os lábios vermelhos e os cabelos cor de ébano tornavam-se mais vivos a cada passo em direção ao amanhecer. Ela brilhou, então.

– Eu te amo. – os dois sussurraram, enquanto davam um último beijo de despedida.

Ela tomava a forma de um anjo, como os poetas antigos descreviam suas amadas.

– Me espere todos os dias, aqui. Quando o sol finalmente se esconder, virei com a Lua e seremos felizes, meu amor. Pelo menos uma vez mais a cada dia.

Poesia desfez-se em inúmeras partículas coloridas. O ar tinha o mesmo cheiro de seus cabelos. O coração de Filipe enchia-se ainda mais de um amor incondicional ao observar aquele belo espetáculo. Olhou-a ir embora até não restar nada além de uma enorme paz e serenidade no céu. As gaivotas cantavam pelos ares, anunciando o começo de um novo dia. Ele sentou-se na areia e suspirou, esperando Poesia voltar para os seus braços.

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