Sobre príncipes encantados, fadas e divergências amorosas

302820_382090111875838_219467267_n_largePríncipes encantados, fadas madrinhas e finais felizes não existem. Colocaram isso na minha cabeça quando pequena e desde então passei a acreditar que, para um relacionamento entre homem e mulher funcionar corretamente, a perfeição e as juras de amor eterno deveriam reinar entre eles. Qual não foi minha surpresa ao perceber que essa história de “homem e mulher perfeitos” não passa de ficção. Pois é. Fui enganada.
O que seria de um relacionamento se eu e o amor da minha vida gostássemos exatamente das mesmas coisas e tivéssemos opiniões completamente iguais?
– Amor, eu amo feijão branco.
– Eu também amo, amor.
– Amor, Edgar Allan Poe foi o maior escritor de todos os tempos!
– Concordo plenamente com você, meu ursinho…
Cá para nós, isso seria muito irritante.
E daí que eu goste de comer sorvete com batata frita e ele ache isso a coisa mais bizarra do mundo? E daí que ele torça para o Corinthians e goste de Matemática, mesmo eu achando que nada supera o Tricolor Paulista e as aulas de Literatura que tive na Ensino Médio? É assim que um relacionamento se constrói: divergências. Mesmo tendo gostos em comum (como aquela banda de rock progressivo dos anos 70) sempre discordaremos em algum ponto e isso fará uma baita diferença, pois não seremos completamente monótonos: aprenderemos sempre um com o outro e cresceremos juntos.
Eu não me importo se ele deixa a toalha molhada sobre a cama ou o copo de achocolatado sobre a pia, sem ao menos se dar ao trabalho de enchê-lo d’água. Ele não se importa se eu passo horas e mais horas tentando alisar os meus lindos cachos com meu secador de cabelo barulhento, enquanto ele tenta assistir o futebol santo de todo domingo. Uma hora ou outra aprendemos a conviver com essas pequenas diferenças e descobrimos que o que sentimos um pelo outro é mais importante do que a briga para escolher qual série de tv assistir na quarta-feira à noite.
No fim das contas, a única coisa que me importa é ele. Ele e o cabelo desarrumado e sem gel. Ele e os pacotes de Doritos e as latas de Coca Cola que nos servem de jantar. Ele e meu sorriso preferido. E, quem sabe assim, viveremos algum dia “felizes para sempre”. Ou talvez um pouco menos do que o “para sempre”.

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