Pulsante

Sentados na calçada lado a lado, eu e meu coração:
– Sabe porque eu te encontrei aqui, não é? – eu disse, olhando severamente para o pequeno órgão vermelho, sangrento e pulsante ao meu lado. – Precisamos mesmo conversar.
– Eu sei. Afinal, tudo o que eu faço é errado, não é? Todas as palpitações vieram na hora errada, destinadas à pessoa errada, já estou cansado de escutar…
– Não se faça de bom moço. Eu realmente não consigo te entender: o que custa se apaixonar por alguém que realmente valha a pena?
– Você olha, se atrai e eu faço o resto. A única culpada nessa história toda é você e essa sua mania de romantizar todos os seus relacionamentos. Acho que esqueceram de te avisar que príncipes encantados não existem.
– Aham, lá vai você se esquivando como sempre faz e jogando a culpa na Branca de Neve. Todo mundo diz que “devemos seguir a voz do coração”, mas o que eu ganhei com isso? Noites e mais noites de insônia e olhos inchados por conta do choro. Acha justo me fazer sofrer? – chutei uma pedrinha que estava junto ao meu pé direito. O sol não dava as caras pelo céu, tornando-o cinzento e deixando tudo mais melancólico. Um vento frio soprava e eu me encolhia ainda mais dentro do meu casaco marrom e pesado.
– Já que está cansada de sofrer, desligue suas emoções. É fácil: esqueça que eu existo, trate tudo e todos com frieza e espere. Nunca mais se arrependerá de uma paixão mal sucedida.
– É bem fácil para você dizer isso. Quero ver sentir o que eu senti. Não é bobagem ou hormônios em ebulição, é intenso. Nunca gostei de alguém assim. Nem nunca quebrei minha cara antes como quebrei dessa vez. E não sei se estou pronta para esquecê-lo.
– Adolescentes. Crianças que se acham no direito de se apaixonarem e ainda nos culparem por algo que não fizemos. Seu manual veio com defeito e eu não sei o que fazer. Use o cérebro. Aquele moço todo racional e dono de si deve te ajudar a lidar com essa situação.
– O meu problema é com você. Antes achava que meu cupido andava bebendo escondido, mas agora percebi que todos os problemas emocionais que eu tenho são de total responsabilidade desse meu lindo coraçãozinho antipático e arrogante.
– Então resolva seu problema sozinha. Não tenho tempo para reclamações infantis. Não sou pago para trabalhar como S.A.C. e você não deve me chamar quando der na telha. A minha parte já foi feita. Vou voltar para o local do qual nunca deveria ter saído. Vê se cresce, tá?
Dizendo isso, meu coração abriu novamente um buraco em meu peito e entrou. As pessoas passavam pela rua e me encaravam, me fazendo sentir a pessoa mais insana do mundo. Levantei e encarei tudo o que eu sentia como uma garota madura. Paixões vem e vão constantemente. Essa minha mania de criar mil e uma expectativas já estava com os dias contados. Eu deveria tirá-lo de vez da minha vida e deveria fazê-lo sozinha. Já que com o meu coração insensível não poderia contar.

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