Dezembro, vinte e um, nós dois

Tumblr_mf7mapjhpj1riz13ro1_500_largeO mundo poderia acabar de várias maneiras possíveis desde que você estivesse comigo. Isso bastaria.
Poderia acabar naquele dia na praia, quando você fez um luau improvisado tocando as músicas do Nando Reis. Ou quando fomos pescar e não obtivemos nenhum sucesso. Acho que os peixes não vão muito com a nossa cara. Poderia acabar na fila da padaria, no exato momento em que você passa o braço ao redor da minha cintura e cantarola Cazuza baixinho no meu ouvido, nos corredores do supermercado enquanto escolhemos a melhor marca de biscoito recheado, nas nossas viagens de carro sem rumo, nas noites em que dormimos no sofá, esquecendo a tv ligada.
Poderia acabar enquanto rimos ofegantes durante a madrugada ou quando você busca aquele copo gelado de água para mim. Poderia acabar naquele dia em que a sua vizinha do apartamento ao lado veio pedir um xícara de açúcar. Eu apareci na porta vestida com a sua camiseta dos Rolling Stones, te dei um “beijo-mordida”nas costas e lancei meu famoso olhar de “ele está muito bem acompanhado” para ela. Ela acabou desistindo do pedido. E você me olhou como se eu fosse a mulher mais linda do mundo – mesmo ciumenta, com cara de sono e sem maquiagem. Aliás, você faz isso sempre.
Esse mundinho poderia ser extinto enquanto fazemos nossa sagrada maratona de “O Pederoso Chefão” uma vez por mês, até conseguirmos decorar as falas do Dom Corleone. Poderia acabar na hora do nosso almoço à base de lasanha descongelada no microondas e Coca Cola, nos momentos em que temos ataques de riso por coisas banais, nas horas em que ficamos buscando desenhos em nuvens como crianças ou quando vamos ao parque de diversões comer pipoca doce.
Poderíamos morrer abraçados dentro de uma livraria enquanto leio trechos dos sonetos de Pablo Neruda para você. O sorriso em seu rosto vale muito mais do que um “eu te amo”. Poderíamos nos esconder das pessoas desesperadas na rua anunciando o apocalipse enquanto jogamos videogame no meu apartamento. Pediríamos uma pizza de peperone, a qual nunca chegaria devido ao caos do trânsito e decidiríamos ir para o quarto, aproveitar nossos últimos instantes juntos.
Gostaria que os meteoros caíssem, as ondas enormes se formassem e as crateras monstruosas se abrissem no chão enquanto estamos deitados na cama e você me beija. Você me olharia no fundo dos olhos e sorriria, me fazendo entender que depois de tudo nos encontraríamos em algum lugar do paraíso. Nosso paraíso particular. Me concentraria na cor dos seus olhos e memorizaria cada centímetro do seu rosto, até não restar nada além de uma escuridão infinita.
Mas, para falar a verdade, se o mundo não acabasse seria bem melhor. Quero aproveitar ao máximo o nosso curto tempo na Terra das maneiras mais loucas possíveis. Teremos filhos, netos, bisnetos e, quando o inverno dos anos chegar, você segurará minha mão e me olhará carinhosamente, como sempre fez. Nós ainda temos muito a viver, meu amor. Não será uma profecia boba que acabará com isso.

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