Tonight, tonight…

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Cinco minutos para o ano acabar e eles estavam discutindo a marca do champanhe.

– Não acredito que você comprou essa marca de champanhe? O dinheiro que eu te dei não foi suficiente? – ela virou-se e encarou o marido, batendo os pés descalços na areia da praia.

– Amor, você sabe como é véspera de Réveillon, não sabe? Quem chegar primeiro no mercado leva o melhor champanhe. Eu demorei e acabei pegando esse… – ele olhava cuidadosamente o rótulo da garrafa pouco satisfeito. – Prometo que ano que vem eu chego bem cedinho e pego aquela marca famosa que você tanto gosta.

– Você sabe que é uma tradição lá em casa comprar o melhor champanhe para a passagem de fim de ano. Quebrar os rituais traz más vibrações para o ano seguinte. E ano que vem vai ser péssimo porque você não comprou a garrafa de champanhe que eu pedi. Seu incompetente.

– Isso é bobagem. Todas as marcas são iguais e eu te garanto que nada fora do normal acontecerá ano que vem. Eu juro. Vamos esquecer essa bobagem e curtir a festa, vai? – ele quase suplicava, tentando fazê-la esquecer um fato tão irrelevante que estava prestes a ser levado a sério pela esposa.

– Você está dizendo que minhas crenças são bobagem? Não sei porque casou comigo então. Você deveria me aceitar do jeito que eu sou e, de preferência, comprar as bebidas certas e colaborar para que sua linda esposa não se estresse na passagem de ano. E eu estou nervosa. Muito nervosa.

– Estresse dá rugas e você não quer parecer um maracujá de gaveta aos quarenta, quer? – ele tentava distraí-la. Não estragaria aquela noite por nada.

– Não, eu não quero, mas… Você está fugindo do foco da conversa: eu não vou tomar esse champanhe, certo? Ah, droga, ano que vem vai ser terrível…

– Deixa de drama. Só faltam três minutos para a meia noite. Acho que você não quer passar a virada discutindo, né? Os deuses-do-espaço-sideral-que-controlam-o-cosmos-do-universo castigam mulheres bonitas que discutem com os maridos na véspera do ano novo. Vai tentar a sorte ou vai esquecer isso e cair no mar comigo?

Ela o olhou com uma cara de “o que eu não faço sorrindo o que você me pede chorando?” e concordou em deixar o fato da marca do champanhe para lá. Ele largou a garrafa no chão e a pegou no colo, beijando-a enquanto os fogos de artifício coloridos explodiam pelo céu. Correram como duas crianças pela areia e entraram no mar. Ela não deixaria o “ritual das sete ondas” passar em branco. Pelo menos isso.

FELIZ 2013!!!!

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