Mudanças

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Mudar é sempre bom. Principalmente quando é para melhor. Carregamos na bagagem pessoas que conhecemos, sonhos que sonhamos, sorrisos, palavras carinhosas recebidas e momentos ímpares vividos. Quando chegamos em um lugar pouco conhecido a estranheza bate à nossa porta. Sentimos falta da vida que levávamos anteriormente, dos amigos e familiares, pessoas que aprendemos a amar no primeiros instante em que conhecemos. Ficamos tristes, cabisbaixos, com uma vontade imensa de sair do lugar em que estamos e correr para os braços de quem amamos. Mas aí a vida nos cobra uma outra postura, mais séria e madura, para conseguirmos caminhar e traçar o nosso caminho totalmente desconhecido.

Porém, muitas vezes no novo lar, conhecemos pessoas maravilhosas. Pessoas que nos fazem sorrir, nos acalmam, nos acolhem. Mas ainda não é o suficiente para nos manter naquele local. A vontade de voltar nos chama, quase uma súplica. Episódios não muito agradáveis acontecem e, então, vemos que é a hora de fazer o caminho contrário. Fazemos nossas malas, embrulhamos objetos frágeis em jornais, planejamos mais sonhos e alegrias duradouras. É cansativo, em partes. Mas só de pensar que cada um daqueles que conhecemos no passado estará lá na frente para nos receber já basta o esforço.

Estou voltando para casa.

P.S.: Esse provavelmente será meu último post de 2012, mudarei de cidade em breve, ficarei sem minha amada internet e não terei tempo para atualizar o blog. Desde já, gostaria de agradecer a todos que leem meu humilde cantinho de pensamentos, cultivado com muito amor e carinho. Podem ser poucos, mas são maravilhosos – disso eu tenho certeza. Eu finalmente consegui me decidir sobre aquilo que eu quero para a minha vida e vi que vai dar muito certo: escrever. Que em 2013 vocês façam coisas incríveis.  Ano que vem será lindo, cheio de descobertas e novas amizades. Nunca desistam daquilo que os fazem pessoas melhores, pois com certeza estarão no caminho certo. Um beijo enoooorme no coração de cada um. Vida longa e próspera a todos!!

Laís Fernandes <33

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Primeiro andar

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– Quer subir? – ela disse, ainda ofegante por conta do beijo. O olhar intenso dos dois, como ímãs de pólos diferente que não querem se desgrudar, as mãos dela ainda sobre a nuca dele, as mãos dele ainda ao redor da cintura dela. Um misto de vontade arrebatadora e calmaria de praia. Ele sorriu. Aquilo era um sim.

Duas horas antes eles estavam brigando. Uma taça de vinho derrubada no vestido cor de areia dela. Ele havia pedido desculpas. Ela não aceitou. E começaram.

– Olha por onde anda, cara! Mancha de vinho não sai de tecido – ela gritou e todos em volta olharam.

– Desculpa, moça. Foi sem querer, eu já disse… Eu pago outro vestido para você, não tem problema.

– Eu não quero nada seu. Vou embora, essa festa já não estava tão agradável, agora isso… – e saiu, os saltos batendo com força no chão branco e bem encerado. A festa, realmente, não era nem um pouco animada. E aquela tinha sido a gota d’água.

Ele foi atrás dela. Uma coragem animal fluindo por suas veias. Ele não a deixaria escapar. Apenas não sabia o porquê.

– Ei moça, volta aqui! – ele corria pelos corredores daquele grande salão de festas. Um casamento de gente rica. Cheio de fricotes e não-me-toques. – Deixa eu pelo menos saber seu nome, sei lá… Me desculpa mesmo… – os dois pararam o “pega-pega” e encararam-se novamente, dessa vez como adultos sérios. Ela e seu gênio forte. Ele e sua aura de anjo.

– Fala. – ela passou a mão pelos cabelos loiros na altura do ombro e colocou a mão na cintura, encarando-o.

– Posso pagar o vestido para você? Sem problemas ou ressentimentos?

– Vai parar de me olhar com essa cara de filhote de panda?

– Filhote de p… Tá, pode ser. Eu pago seu vestido, cada um vai para o seu canto e isso acaba aqui. Eu só preciso passar em um caixa para sacar o dinheiro. Me acompanha? É aqui perto.

– Eu andando com um estranho? Meus pais nunca permitiriam uma coisa dessas…  – ela parou e riu. Ele havia conseguido arrancar um sorriso daquele ser mal-humorado. Sentia-se um vencedor. – Vamos. Faço qualquer coisa para sair dessa festa de idosos. Nem um sonzinho dançante rolou…

Encararam a rua e lá se foram em busca de um caixa vinte e quatro horas. E, por incrível que pareça, não havia nenhum naquela região.

– Juro que tinha algum caixa por aqui… Talvez seja do outro lado do quarteirão e eu me confundi. – ele olhava para todos os lados, na esperança de que algum gênio da lâmpada aparecesse e com ele trouxesse notas de cem reais para reembolsar-lhe o vestido.

– A gente já passou por lá. Nada. Esquece, já é tarde e amanhã eu tenho que acordar cedo para o trabalho. Você estragou meu vestido, mas eu te perdoo. Vou indo, viu?

– Deixa eu pelo menos te pagar um café? Tem uma cafeteria ali na outra esquina. – o cartão de crédito viria a calhar.

– Tem certeza, né? Meus pés não aguentam mais andar.

A cafeteria era aconchegante. Aconchegante até demais, para ela que gostava de som alto e globos de discoteca brilhantes. Mas aquilo era melhor do que nada. Pediram um café e conversaram até o dono ter de interrompê-los. O expediente acabara.

Eles se entenderam, apesar de serem totalmente diferentes. Ela rock e ele música clássica. Ela preto e ele branco. Yin e Yang. Ele tinha um belo par de olhos negros que a fazia ficar perdida e perder o foco da conversa. Os lábios dela tinham um movimento que também o deixava desnorteado. Seria amor verdadeiro ou apenas atração física? Não se sabe…

Quando finalmente chegaram no prédio em que ela era morava, sabiam por completo sobre a vida um do outro, como conhecidos de infância.

– Então, você fica aqui, né? Prometo que amanhã passo e te entrego o dinheiro do vestido.

– Não precisa, sério. O café e a conversa foram suficientes. Muito obrigada por tudo mesmo. – foram se aproximando e um abraço desajeitado surgiu. Olharam-se e ficaram ali parados, no meio da calçada. Ela tomou a iniciativa. Aquela noite de vestidos manchados e conversas informais acompanhadas de boas risadas não terminaria fria como o vento. Puxou-o para dentro de um beijo ardente e,  logo depois, o convite para subir ao primeiro andar foi sussurrado com todas as letras.

Beijaram-se no elevador, no corredor, na porta do apartamento, na sala, na cozinha e, finalmente, no quarto. Roupas e risadas misturando-se com discos de bandas antigas e luminárias chinesas. Promessas de amor eterno proferidas na calmaria da noite.

– Bom dia, amor. – ele sussurrou no ouvido dela.

Suffering

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A maioria das pessoas acredita que o sofrimento é prejudicial. Ele é decorrente de uma vida cheia de insatisfações ou desencadeamentos negativos. Acredito que sofrer é uma forma de amadurece e adquirir experiências (sendo boas ou más).

O filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche acreditava que o sofrimento é algo vantajoso na vida. Sem sofrimento não há vitória, não há sucesso. Tais afirmações são verdadeiras, pois sofrer é uma forma de crescer mentalmente; nada se conquista com facilidade. Toda a gratificação só é satisfatória quando vem de um modo difícil e sofrido. “Podemos listar muitas figuras importantes que não tinham talento, mas conquistaram seu mérito e transformaram-se em gênios. Eles fizeram isso superando dificuldades”, citou Nietzsche.

Nietzsche analisou o sofrimento refletindo as melhores e as piores reações. Ele era contra qualquer tipo de consolo. Concordo com isso, pois tentando acalentar o sofrimento de alguém, acabamos impedindo que essa pessoa cresça e aprenda com a própria dificuldade.

Portanto, o mundo não seria melhor sem a existência do sofrimento. Sofrer significa aprender com os erros, amadurecer e acima de tudo estar preparado para qualquer desafio que a vida nos proporcione. Sofrer acaba tornando-se uma constante em nossa vida. Afinal, não podemos e não devemos pensar em um modo de banir o sofrimento. Poderíamos apenas conviver com ele.