How to be a heartbreaker

Coração partido cinco vezes. Seis mil lágrimas derramadas. Trinta e seis noites mal dormidas. Essa era uma contabilidade que a deixava magoada, destroçada e angustiada por dentro. Alice era uma mulher de vinte e sete com diversos amores não correspondidos.

Passou a maior parte da adolescência trancada no quarto ouvindo Celine Dion enquanto escrevia cartas e mais cartas para suas paixões passageiras e arrebatadoras. Nenhuma delas era entregue. Os garotos se afastavam de Alice por achá-la um ser do outro mundo. Ela não se achava boa o bastante para ser amada por nenhum deles. E sofria. Ah, como sofria a pequena Alice…

Seu primeiro beijo foi aos dezesseis anos. Alice mudara completamente desde o aniversário de quinze, quando decidiu abandonar os óculos,os vestidos longos e o aparelho. Assim, conseguiu um paquera na praça da esquina e com ele foi feliz por uma hora – até descobrir que ele já tinha namorada. Mais uma vez decepcionada, Alice decidiu mudar radicalmente: aquela que por várias vezes teve o coração partido agora partiria os corações alheios. E foi isso o que fez.

Aos vinte e sete sua contabilidade mudara: aproximadamente cem corações ela havia partido. Um número baixo para uma profissional como ela – era o que imaginava. Ia aos bares, dançava ao som de Ramones, conhecia caras interessantes e com eles passava horas e horas até finalmente se apaixonarem por ela. Acordava no outro dia em quartos desconhecidos, ainda com o gosto de tequila na boca e o rímel borrado escorrendo até a bochecha, indícios de que a noite tinha sido longa. Porém, ela não se lembrava de nada além de ter partido mais um coração (talvez um efeito macabro promovido pelo álcool). Saia de fininho para que eles não acordassem e seguia sua vida como se nada tivesse acontecido.

Ela era romântica, em partes. Sonhava em constituir uma família algum dia, ter um emprego decente e ser feliz. Aliás, felicidade era uma palavra que soava tão estranha e desconhecida aos seus ouvidos.

Trabalhava na cozinha de uma lanchonete na subúrbio e sua única alegria eram as noites de sexta em que saia para fazer mais uma vítima.

Alice fazia aquilo por prazer (muitas vezes encontrava um dos rapazes na rua e fingia não se lembrar dele, apenas para vê-lo atormentado implorando por mais um pouco de carinho – ela se deleitava com aquilo), porém os anos iam passando e ela começava a se sentir a pior pessoa do mundo. Quando voltava para casa, depois de uma das farras, deitava a cabeça no travesseiro e se lembrava da menina inocente que era, apenas procurando um amor verdadeiro, o tão sonhado príncipe dos contos de fada. As lembranças nunca a deixavam, mesmo depois de doses e mais doses de uísque. A brincadeira já estava com dias contados. Ela teria que aprender a se apaixonar perdidamente outra vez.

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2 thoughts on “How to be a heartbreaker

    • Chora não, Mo. É nisso que dá ter o coração partido várias vezes (só que ninguém tem o direito de sair quebrando corações por aí, né?). Me identifico com a Alice, só quem sem a a parte da bebida XD

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