Vermelho

O show de rock havia começado. Pessoas se espremiam por todos os lados tentando encontrar um lugar próximo ao palco. Ele estava esperando há tanto tempo por aquele momento que mal conseguia piscar: as guitarras, o baixo, a bateria enchiam sua alma com uma alegria sem igual.

Foi então que ele se distraiu com algo. Cachos vermelhos pendiam de uma pequena cabeça logo ao seu lado. Uma garota.

Como se de súbito houvesse notado que ele a olhava, a garota procurou seu olhar. Eram verdes, como esmeraldas. Os olhos mais lindos que ele já havia visto.

Sabe aquele momento em que seu mundo para? Como se nada mais importasse, como se o mundo pudesse acabar, e estava tudo bem… Foi exatamente o que aconteceu com os dois – que por sinal usavam camisetas iguais, o que fez com que sorrissem um para o outro.

Aliás, o sorriso dele era lindo, ela pensou. Ele também “sorria” com os olhos e ela gostava disso.

Quase uma eternidade se passou e por mais estranho que parecesse, ela imaginou como seria beijá-lo. Ali, no meio da multidão, com os acordes das guitarras ecoando pelo ar. Ele havia pensado nisso também, mas precisava pelo menos dizer olá à estranha. “Oi! Tá gostando do show?”, ele gritou por cima do solo de guitarra que estava sendo executado naquele momento. A garota tentou responder, maravilhada com o fato de ele ter se dirigido à ela, porém foi carregada por uma maré de pessoas enlouquecidas que tentavam chegar à frente do palco. Ela se foi e a última coisa que ele viu foram os seus cachos vermelhos no meio da multidão.

Desolado, ele foi atrás dela, largando o show mais incrível da sua vida.

Ela não estava em lugar algum. Talvez aquilo tivesse sido um sonho, uma alucinação.

Ficou mais alguns minutos procurando a dona dos olhos verdes, porém não a encontrou. Decidiu voltar ao clima do show, afinal aquele momento havia sido intenso enquanto durou.

Lá fora, a garota o esperava sentada no meio-fio. Uma voz de homem soou alto, de algum lugar do espaço, dizendo:

– Sam, está na hora de voltar.

– Mas papai, eu nem o conheci… – disse a garota, olhando para o alto, os olhos verdes cheios de lágrimas.

– Meu amor, você não pertence ao mundo dele. Você pode olhá-lo quando quiser, mas nunca passará disso.

A garota entendeu o que a voz quis dizer. Eles nunca teriam uma vida juntos. Aos prantos, soltou suas asas brilhantes e subiu ao céu, deixando um rastro de brilho e vida por onde passava.

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